domingo, 5 de maio de 2013

A possibilidade do amor





Acho que encontrei o amor e como um bom  e desesperado questionador, observo esse momento. Ha mais de vinte anos atrás eu tive um encontro com o amor, mas a época rendi-me a um amor maior que era o amor por minha filha e a possiblidade de estar perto, de estar próximo, de ser um pai presente frente ao pai ausente que tive.
Pensando no amor, há o amor sublime, o amor que deveria nos unir uns aos outros e que são frutos dos ensinamentos de vários mestres, profetas e são questionados em suas formas por filósofos e toda a sorte de questionador que existe no mundo.
Acho que encontrei o amor, mas ao invés de navegar e curtir suas ondas pacíficas eu me preocupo e me questiono: -- Até onde vai esse amor? Por quanto tempo ele vai resistir a força da mesquinhes humana, a força de nossos apegos e desejos, a força de queremos absorver e aniquilar ao outro, para que sobrevivam apenas nossos desejos e caprichos, até onde?
Encontrei esse amor, no momento que havia entregado os pontos, no momento em que me achava recluso em mim mesmo, distanciando-me cada vez mais e mais da raça humana, enclausurado cada vez mais em meu pequeno casulo e fazendo meu contato com a vida somente através de meus pálidos poemas, através das minhas histórias de infância e de minha tola e limitada visão do mundo.
            Como cultivar o amor? A teoria eu tenho de sobra. Aprendi um pouco com os mestres, aprendi um pouco na carne, mas o cenário e’ novo, os dias são novos, e ha uma pessoa maravilhosa a minha frente, parece que formatada e enviada em um acordo rigoroso, com meus desejos de alguém.
        Eu me espanto, ao mesmo tempo em que amo, eu me espanto pois e’ tudo tão perfeito e maravilhoso e sei que tudo é impermanente, nessas ondas sucessivas de momentos felizes e momentos tristes.
Eu quero ser  feliz, todos queremos ser felizes, mas a felicidade é uma opção eu sei, basta querer ser feliz, temos tudo para sermos felizes, não podemos transferir nossa felicidade, a responsabilidade da felicidade a alguém, isso chega a  ser cruel. Eu entendo...mas não é o que vejo, o que sinto.
O que sinto é que deposito toda a minha felicidade a esse meu amor, que veio em um pacote parece que desenhado, projetado, planejado ponto a ponto com todas as minhas necessidades que carrego por anos e anos, todos os sonhos que sonhei por dias e noites de minha vida.
            Justo agora, quando eu havia entregue os pontos, justo agora em que eu estava conformado e havia até criado algumas máximas: “se é para ser, será. Se  não é para ser, talvez minha missão seja aprender com a busca”
            Experimento nesse momento a possibilidade de ser amado, de ser querido, de ser necessário, de também estar presente nos pensamentos de alguém, de ser cuidado, de receber mensagens, recados, telefonemas, sinto em minha pele, em meu rosto os carinhos e é um mundo novo para mim, é tudo novo para mim, pois os sonhos estavam vencidos, a pele encruada e eu seguia recluso pela vida, apenas como um expectador e jamais acreditando na possibilidade do amor.
            Eu sei que hoje eu saberia definir o que é o amor,  algo que nunca soube definir e nunca acreditei durante toda a minha vida.
Eu saberia explicar em detalhes, o desespero para estar com esse alguém, meus olhares perdidos, meu coração ora acelerado, ora descompassado, eu saberia explicar meus calores e minha excitação ao pensar nela, eu saberia explicar que tudo nela me agrada, me satisfaz, me enleva, me compraz, me leva para horizontes da vida e de meu coração nunca visitados ou desbravados e que eu julgava nunca existir.
Sim eu saberia explicar o amor para todo mundo, para o garoto, para o filósofo mais questionador, ou para o sábio mais sábio mais realizado.
            Eu só não saberia explicar esse meu medo do futuro, esse medo de perde-la ou ser vencido pela crueldade da vida, pela crueldade e frieza do cotidiano, da distancia e da natureza humana, que ao mesmo tempo se alegra pela felicidade do outro, mas também se agrada com a desgraça do outro.
            Tenho os meus sonhos entregues em minhas mãos, eu não saberia explicar, como nunca conseguirei explicar que a amei de uma forma acelerada e apressada desde o primeiro momento que a vi,  não saberia explicar de uma forma racional a velocidade desse amor, sei que tenho certeza que a amo. Sei que ela esta estampada em todos os rostos, esta dia e noite em meus pensamentos, esta em meus planos mais mirabolantes,  esta em meus sonhos, em meus desejos, em meus desesperos.
            Amo minha mãe, amo meus filhos, amo e me esforço para amar o próximo e rendo minhas preces e oferendas em meu oráculo pessoal, mas esse amor por meu amor é algo ao mesmo tempo tão delicado, tão imenso, tão extraordinário, mas ao mesmo tempo tão delicado, como uma pequena flor abrigada na palma de minha mão.
            Eu a quero para sempre, mas o que e’ o sempre senão essa sequencia de dias um após o outro, que o sempre termine agora, termine já, porque tenho medo do futuro, tenho medo de me separar de minha metade que demorei eras e eras, ciclos e ciclos  do nascer e morrer do mundo para reencontrar.
Demorou tanto e eu não resistiria a uma nova busca novamente. Talvez até resistisse, mas a força desse amor é tão grande, que não consigo imaginar a possibilidade de viver sem esse grande amor de agora em diante.
            O mundo acabou de nascer bem a frente de meus olhos em meu big-bang pessoal, pego meu regador e molho e refresco as sementes desse mundo novo, com novas cores e aromas que abrem-se a minha frente. Rego nesse mundo novo desse meu big-bang particular, a luz de seus olhos que iluminarão todas as galáxias desse meu cosmos, a alegria de viver que inspirarão todos os anjos que guardarão e protejerão meu mundo, a simplicidade e a delicadeza que farão aves dançarem, rios seguirem e estrelas brilharem no céu desse meu mundo.




5 comentários:

Anônimo disse...

Mermão, você me emocionou novamente. O que dizer diante de palavras tão belas e límpidas. Uma síntese emocionada e filosófica diante desse desafio diário que chamamos de amor.
O silêncio nesse momento se faz necessário.
Abraços
Wellington Bordinhon

Anônimo disse...

lindo,palavras exatas que descrevem o sentimento mais profundo e verdadeiro do mundo o Amor!!!!
que você seja feliz, você merece!

Tatiane Salgado Pugliese

Altair Almeida disse...

Caros amigos.
Um abraco e obrigado pelas palavras, todos temos direito e merecemos a felicidade e nao esquecam que a felicidade e´uma opcao.
um abraco apertado.

Anônimo disse...

Com a minha viagem, quase perco esse texto lindo, essa declaração de amor. É maravilhoso quando o amor nos encontra ou nos reencontramos nele, meu amigo Alta.
Que esse amor tenha vindo para ficar! felicidades.

Eliane

Mabel Eliana disse...

Demasiadas clases de amor, existe en nuestra vida, todas nos marcan un camino, casi diría que si nos falta una de ellas, amor a la madre, padre, hijos, pareja, amigos, naturaleza, una falta de ellas, nos deja un vacío difícil de llenar. Existe el amor Universal que es el que profezo, ante la falta de varios de esas opciones. Pero el amor es todo, sin amor no existimos, nos da el sentido a todo. Y la felicidad,son tiempos, segundos, momentos infimos eternos, no hay solo una posibilidad de felicidad, la felicidad está aqui escribiendo esto, y expresarme. La felicidad no es solo nuestra , mi perro se revuelca haciendose la mimosa, y mi felicidad aparece. felicidad prestada, un instante. en la vida.