segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não queria mostrar esse meu desespero por ti
























Não queria mostrar esse meu desespero por ti,
Lanço estrelas no asfalto, pontas de cigarro no espaço
Na calada do dia foges desesperada de meus afrontes
Afrontes quem vem de ontem e que vem de antes
Mas na verdade estou profundamente desesperado por ti.

Não queria mostrar esse meu desespero por ti,
Nem meu desespero desesperado por mim
Não queria gritar por ti nas redes sociais
Nem usar da boca de todos os animais
Mas acontece que estou desesperado por ti

Não nasci assim, mas tornei-me assim
Com essa fome de tudo que não tenho
De tudo que não sei, que não vi, que não veio
Não queria gritar por ti de minha janela
De sua altura só vejo as vidraças e suas fantasmas.

Não queria olhar suas fotos estáticas como meus sonhos
Mas se é tudo o que tenho, suas frases e seus medos
Não queria mostrar esse meu desespero por ti
Queria dar tudo o que sonhas, tudo o que esperas
Não queria nunca esse desespero por ti.

Mas esse desespero plantou-se aqui,
Arraigou-se e entranhou-se e danou-se pelo sangue
Correndo firme e forte em todas as direções
Explodindo a cada frase sua a cada olhar o seu olhar
Não queria mostrar esse meu desespero por ti...

6 comentários:

Blogguinho disse...

Tocante, como sempre. Muito bom. Parabéns.

Alta Almeida disse...

Fico honrado com a presença Bloguinho e quem sera que é voce hem Bloguinho? Um grande abraço, obrigado mais uma vez

Alta Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Santosha Harih Om disse...

Mostrar o "desespero" é abrir a alma. Abrir-se para o amor sem medo, já é tratar o amor como ele merece. A forma de amar cada um escolhe. Mas o amor precisa ser tratado como gosta: Sem medidas, sem reservas...Que bonito é ver uma alma se abrindo ao amor

Roberto Macedo disse...

Lembrei um dos melhores poemas da Emily Dickinson, a título de variação. O estilo de Emily é notadamente estranho e peculiar, mas, enfim, lá vai:

THE SOUL

The soul selects her own society,
Then shuts the door,
On her divine majority
Obtrude no more.

Unmoved, she notes the chariot's pausing
At her low gate,
Unmoved, na emperor is kneeling
Upon her mat.

I've know her from an ample nation
Choose one;
Then close the valves of her attention
Like stone.

mabel eliana disse...

Amor que se transforma em desespero
Ela perde a sua natureza.
Amor devia ser tão suave para explorá-lo.
para viver nele
para saboreá-la.
para nos fazer crescer
Nós mostramos em nossa ignorância
Então nós podemos fazer em nossos defeitos
e voltamos ao nosso lugar na opulência
Amor desesperado, é como não querer se afogar sem saber nadar
Não sobrou nada. Não resta nada. E o desespero se transforma em desesperança