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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Nem muito lá, nem muito cá.






Nem muito lá, nem muito cá.

É uma arte, juntar-se homens em torno de um ideal, de um sonho, de uma luta.  Realmente é uma arte pois somos todos diferentes, cada um com seu sonho, cada um com sua visão de mundo, suas expectativas...então, quando os líderes, os grandes líderes conseguem essa façanha, realmente  é algo digno de tirar-se o chapéu...
            Toda essa movimentação que tem ocorrido nos últimos dias em São Paulo, Rio e que está se estendendo por todo o país, que começou com o aumento das passagens de ônibus em 20 centavos, invadiu as ruas e deu no que deu, deu no que vimos em nossas tvs, nas redes sociais: jornalistas e manifestantes agredidos e machucados, patrimônio público e privado depredado, a população exposta ao caos e ao medo. Uns culpam a policia que exagerou na violência, outros criticam os participantes das passeatas que não demonstraram a mínima organização e foram também violentos, depredando tudo a sua frente.
            Em minha limitada visão, analisando sem as paixões de lá e de cá, houve exagero de ambos, então, se há erros nessa história o erro é de ambos.
A polícia, tem que ter a sua estratégia obviamente, para toda e qualquer ação no dia-a-dia, tem que ter  a sua inteligência. Temos que ter policiais preparados para esse tipo de evento (não treinaram “n” vezes para a copa?), enfim, a atitude e a postura foram totalmente amadora, mas, não podemos nos esquecer que a polícia também é formada por pessoas, por seres humanos,  que também encaram uma manifestação como essa com apreensão e com medo. Não podemos nos esquecer que os policiais são mau pagos, tem suas famílias, encaram a violência todos os dias e tem que voltar para suas casas no final do dia vivos para ver seus filhos, só isso já é uma grande proeza.
            Do lado dos manifestantes, além de haver muitas convergências com os policiais, por serem humanos também, por terem anseios, por lutarem pelo que acreditam, há muitos erros, com certeza. Houve vandalismos, destruição e o pior, depredadores profissionais infiltrados em seu meio descaracterizando sua luta.
            É irrefutável, se geramos violência, recebemos violência de volta. É simplesmente uma lei da vida, então, muitos podem sentirem-se heroicos, por estarem “lutando uma luta”, uma luta justa, mas uma luta descaracteriza-se e perde muitas batalhas quando não há organização, quando não há respeito pelo outro e pelo que é do outro.
            Entre  “mortos e feridos”, acho que vale a pena a reflexão de ambos, ou melhor de todos: manifestantes, policiais, sociedade, políticos. Se não pensamos como um todo e para o todo, seremos sempre radicais em nossas posições e pagamos também como um todo, todos pagamos.
            As manifestações fazem parte do ambiente democrático, mas é simples, se forem violentas, gerarão violência e perderão seu sentido, isso em qualquer parte do mundo e com qualquer polícia do mundo.
            Temos a PEC 37 que está para ser votada, esse por si só é um objeto que merece toda a nossa paixão em uma luta justa e se analisarmos o quadro dantesco a nossa frente há muito o que se lutar por esse país e por nossos filhos e é uma lista imensa, de um legislativo recheado de políticos corruptos que só legislam em causa própria e em torno de seus interesses escusos e afilhados corruptos até a luta social  desse país em torno da educação, moradia, distribuição de terras e da renda.
            Concluindo, há muito por se lutar mas temos que aprender a lutar.

Altair Almeida

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Um caminho que não soubemos caminhar





      Com o passar do tempo, o deslumbramento cede espaço ao conformismo, esse “ismo” maldoso e sonolento que rouba as horas do sono e entorpece os dias trazendo outro  sono.
     Com o passar do tempo, percebemos que é tudo um ciclo, começa deslumbrante e senhor de sí, atravessa a maturidade raso em sí e na velha idade percebe que não há tempo ou idade que mostre a sabedoria da maturidade.
     Com o passar do tempo a gente percebe que o vento sopra para todos os lugares e enquanto uns deliciam-se com sua brisa, outros jamais sairão do torpor do ar rarefeito de suas geografias.
     Com o passar do tempo a gente percebe que o sábio é o que não sabe nada, que o fraco vê da jangada, o tolo de garganta empinada.
     Com o passar do tempo vai se a memória, vão se os músculos, os ossos fraquejam, o riso escasseia, o amargo galanteia, os sulcos rasgam o rosto, a altura cede, fica apenas nosso rastro, nosso nome solto no asfalto.
     Com o passar do tempo, olhamos para o peito e se não vencemos o medo,  percebemos o rastro estreito perdido pelo meio do caminho que não soubemos caminhar...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Diario de Viagem: National Kid, Tina e Leco











          

          






        


        -- Leco, encosta mais, esta muito frio aqui – ele olhou com aquele olhar repleto de amizade e compaixão e começou a arfar rapidamente e a latir, Tina olhou para Leco, abanou sonolentamente o rabo e voltou a dormir.
A noite era fria, eu chorara um pouco, pois quando caí no poço, ralei-me um pouco, mas não sentia dores maiores que os ralados, apenas, sabia que minha mãe a essa altura estava desesperada.
            -- Leco, vem menino, encosta mais – Eu estava grudado em Tina que tremia muito naquela noite gelada, abracei-a, ela gemeu baixinho e parou um pouco de tremer. Os pernilongos nos picavam por todos os lados, então, não tinha jeito não conseguíamos dormir.
            Quando fomos morar de favor na casa de Isadora, amiga de minha mãe, amiga fiel desde sua chegada a São Paulo, eu, Tina e Leco nos apaixonamos imediatamente, eu pegava nacos de carne e algumas sobras gostosas como pães e biscoitos e sempre jogava por baixo da mesa, minha tática estava um tanto quanto manjada, pois todos sempre ficavam de certa forma me vigiando nas refeições.
            Viver na casa de Isadora, foi um intervalo como a chegada a um oásis em nossas vidas, deixamos temporariamente de perambular a esmo pela cidade desde a expulsão de minha mãe da casa de minha avó e ainda não havíamos iniciado nossa vida independente em nossa casa de cozinha de chão pisado no Piqueri.
            A casa de Isadora ficava lá no Jardim Brasil, bairro onde a criminalidade era o fundo normal do cotidiano de todos, então tiros constantes, brigas pelos motivos mais banais, batidas constantes da policia eram a rotina de todos os dias. Isadora em meio a esse cenário tinha sua casinha aconchegante, com um pequeno jardim na frente, um pé de jabuticaba e um de pitanga na parte de trás e um papagaio que alternava os assobios com alguns palavrões ensinados pacientemente por Isadora.
            -- Mas ele fala um monte de nome feio Isa, e se tiver visita? – Isadora riu e respondeu – quem sabe as visitas ensinam algum palavrão novo para o Bicudo, né Nhanha? – Minha mãe começou a rir também, aquela sua risada, que parecia uma sucessão de gemidos e que sempre terminavam com um “misericórdia meu pai”.
            Acho que eu tinha uns cinco anos, então, talvez pela idade, talvez por minha natureza, eu era um profundo observador e nunca conseguia conversar com adultos, achava-os chatos, complicados, mas, com Tina e Leco eu conversava e contava tudo o que vinha a minha mente, todas as minhas histórias, todos os meus sonhos, minhas esperanças e eles sempre retribuíam com aquele seu olhar generoso e cheio de amor.
            -- Pega Leco, pega...e lá ia Leco correndo com Tina a seu lado buscar qualquer coisa que eu jogasse, voltava todo feliz, estendia o objeto da busca a meus pés, ficava em pé e começava a me lamber.
            -- Leco, você está muito fedido – disse certa vez e o empurrei bruscamente com toda a força de um garoto  de cinco anos – naquele dia Leco ficou distante por mais que o chamasse, ele aninhou-se no meio dos bambus em frente a casa de Isadora e não saiu de lá, aquele dia quando deitei chorei um pouco, pois não queria perder meu amigo, mas nada como uma boa noite de sono, no dia seguinte acordei com as lambidas de Leco e os latidos felizes de Tina.
            O tempo que moramos na casa de Isadora, minha mãe conseguiu seu primeiro emprego na “Malharia da Dona Chandra”, como ela dizia,  então, como ela recebia seu salario toda a sexta-feira, com certeza as sextas – feiras era dia de comer pudim que ela trazia da padaria.
            -- Filho, qualquer hora dessas vou te levar para conhecer o Zézinho, um moço tão bonzinho lá da malharia. – realmente ele era bonzinho, no dia que eu o conheci, ele me levou para almoçar naqueles “por quilo” que já eram moda na época, foi quando eu comi muito e ele ficou surpreso em como devorei a salada em meia dúzia de garfadas. Achei ótima a situação, aprendi então que as travessas de acompanhamento em qualquer refeição tem que ser servidas aos poucos e não viradas completamente no nosso prato como eu fiz.
            Lembrei então que minha mãe sempre foi muito rigorosa com a educação apesar de nossa pobreza, mas não tinha jeito algumas coisas ia ter que aprender sozinho, observando as pessoas que eu julgava humanas, educadas, grandiosas.
            -- Leco, menino, vem aqui, eu tiro a camiseta e você veste – arranquei a camiseta, tinha começado a chorar, começaram alguns sons noturnos, eu achava que eram uivos, uma lagarta passeava pela parede, eu morria de medo e não sabia o que era pior se os pernilongos que pareciam atacar em hordas ou o frio que parecia congelar nossos corpos.
Leco era mais forte, colava-se a mim, Tina gemia e seu gemido incomodava-me mais que o frio e os pernilongos, meus dois maiores amigos estavam sofrendo e eu não sabia se iríamos sair dali, sair daquele buraco fundo, escuro e úmido.
            Passamos a noite assim, alternava meus choros, com gritos tímidos de “socorro”, abraçava forte Tina e Leco, o buraco que caímos minava agua e aos poucos ficamos molhados também.  Após aquela noite de mordidas constantes de pernilongos, cochiladas curtas e gemidos constantes de Tina, o dia começava a nascer. A luz do sol incomodava meus olhos, seu brilho começou a nos aquecer, minha primeira reação foi sacudir Tina e Leco, eles tinham que estar bem.
            -- Leco, Leco, Leco...Tina, Tina... – foi quando meu coração, encheu-se de alegria, Tina soltou um pequeno gemido e rapidamente soltou sua língua enorme para fora da boca e começou a pular ao meu lado e Leco por sua vez começou a pular, abanar o rabo e latir, comecei a chorar de alegria, afinal meus dois amigos resistiram comigo e apesar de não entender muito de nada, senti-me naquele momento como meu herói a época, o National Kid, que não tinha medo de nada e enfrentava qualquer parada. Pensei por algum tempo que iríamos morrer ali, apesar do sol que entrava e iluminava uma pequena parede daquele grande buraco, apesar do canto dos pássaros lá fora que possivelmente eram quero-queros, os pássaros que aprendi a amar aquela época e que simbolizavam a força para mim.          
            De repente tudo voltou a silenciar novamente, lembrei do filme que tinha assistido aquela semana, na tv preto e branco de Isadora, era “Robinson alguma coisa” não lembrava ao certo, mas contava a vida de um homem muito forte que viveu durante muito tempo sozinho em uma ilha.
Em minha cabeça de um garoto de cinco anos de idade, enchi meu peito, cocei um pouco os caroços das mordidas de pernilongo, nos braços, nas pernas e na barriga e pensei – Vou ter que cuidar de Tina e Leco, para sempre, mas como nesse buraco? – Pensei que se começasse a cavar sem parar quem sabe um dia chegaria a algum lugar, pensei em como faríamos se mal conseguíamos nos mexer nesse buraco, pensei no que comeríamos pois estava com fome, pensei novamente em minha mãe, quem iria protege-la e comecei a chorar novamente. Tina e Leco começaram a me lamber e sem perceber cochilei novamente.
            -- Aqui! Aqui! Ele esta aqui! Aqui... – Era uma voz de homem, que começou sozinha e aos poucos as vozes foram aumentando, eu conseguia perceber vozes de adultos, vozes de mulheres, vozes de crianças e de repente a voz de minha mãe intercalada por choros desesperados.
            Os homens do carro enorme vermelho descobri mais tarde que eram bombeiros, eu havia rezado grande parte da noite para o Nacional Kid aparecer, mas com o tempo descobri que eram tão heróis quanto meu herói preferido.
Um dos momentos mais felizes de minha vida foi quando minha mãe me agarrou e abraçou, em minha cabeça eu voltaria a protege-la novamente, quando na verdade fui descobrir um pouco mais tarde, era ela quem me protegia.
Passei por um festival de abraços e beijos e os bombeiros com suas mãos grossas e pesadas fizeram questão de todos passarem a mão em minha cabeça.
            Tina e Leco latiam e pulavam em uma alegria incontrolável, aquela manhâ minha mãe caprichou no mingau de fubá e no meu pão caseiro. Aos poucos todos se foram, o carro enorme dos bombeiros, os vizinhos, as aves silenciaram acho que afugentadas por toda aquela agitação, Leco deitou em seu cantinho preferido próximo a escada de entrada e Tina aninhou-se em uma cadeira. Isadora caprichou no almoço, a temperatura caiu na parte da tarde, ficamos ali bem juntinhos, eu, minha mãe e Isadora, contando historias de medo e rindo um pouco.
            Tina e Leco ganharam novo status na casa, passaram a ser tratados com todo o amor possível e ficamos cada vez mais inseparáveis.
            Na parte da tarde naquele dia, após assistirmos “Perdidos no Espaço” na tv, peguei dois de meus carrinhos preferidos e deixei um na cama de Tina e outro na cama de Leco, afinal eles eram meus melhores amigos e havíamos passado por uma barra pesada juntos.
            -- Tato, achei na banca o livrinho novo da coleção da Disney... – Gritou minha mâe, entrei correndo e sorrindo, era a historia do Peter Pan e esse “cara” parecia ser tão bom quanto o Nacional Kid.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Diário de Bordo: Data Estelar 18 12 3014








Diário de Bordo: Data Estelar 18 12 3014
(Trecho do livro "A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes)

    Essa viagem constante na velocidade da luz, tem cansado a todos, na nossa passagem por Alfa Centauro, nos deparamos com diversas chuvas de meteoritos, alguns meteoritos atingiram nossa nave e atravessaram as 5 camadas de proteção, após uma análise geral do estado de nossa nave, Hal 9 nos informou que não temos condições de prosseguir.
     Sr. Sumu que permanentemente discorda de Hal 9, afirma o contrário, então passados os ânimos exaltados e as eternas discordancias, chamei nossa oficial médica, sra. Zumi e pedi sua ajuda para nossos oficiais e o restante da tripulação. Todos estão muito tristes, principalmente por ter que voltar ao planeta azul-acinzentado.
   Por sorte, nosso dispositivo de teletransporte não foi avariado, então, nosso plano, é deslocar nossa nave através do espaço-tempo de volta ao pequeno planeta azul-acinzentado, consertarmos as avarias e seguirmos em frente.
    Comuniquei nossa decisão primeiramente a nossa nave mãe, estacionada em Andromeda e a nossa outra nave irmã estacionada em Cassiopéia. Sr Turi o general de toda a esquadra insiste em um resgate, mas eu insisto o contrário, já que nossa missão até o pequeno planeta azul foi um fracasso. Chamei os oficiais ao convés principal e vamos comunicar a nossa decisão. Não vai ser fácil, mas não há muito o que fazer.
     Percebo que aos poucos, nosso retorno para Andromeda e nosso pequeno planeta sempre sofre algum revés, sinto falta de minha amada e de nossa constante comunicação em permamente silencio, acho que os habitantes do planeta azul-acinzentado  chamariam a isso de telepatia, em sua ansia de dar nome a tudo e classificar para que tudo não fuja de seu entendimento, eu diria que nossa eterna e silenciosa comunicação seria muito da paz e do amor que nos envolve.
Bom, o animador é que nosso navegador não terá muito trabalho, pois só precisamos informar Hal 9 para que oriente e comande a nave de um ponto de partida a um ponto de chegada para que o teletransporte seja realizado na velocidade da luz.
     No planeta azul, vamos procurar a montanha mais alta, talvez em alguma cordilheira na parte asiática do planeta, talvez estando no topo desse mundo, tenhamos condições de trabalhar, sem sermos fustigados ou agredidos, pois essa é uma característica de seus habitantes, agredir a tudo ao redor, principalmente oque é estranho, novo ou desconhecido. Ou quem sabe possamos escolher o oceano mais profundo, acho que não teremos problemas com os seres abissais, sua aparencia talvez seja assustadora, mas eles são a nosso ver autenticos e são o que são, sem falsas imagens, sem falsas camadas.
     Do planeta azul, guardo entre nossas amostras:  um sorriso terno, a imagem de um pássaro fazendo seu ninho, várias maritacas barulhentas em revoada, um cipreste imponente ao luar, uma pessoa dando abraços gratuitamente em uma estação de trem, e a terna imagem de pessoas se despedindo e se reencontrando em um aeroporto.
      Mas as amostras de cenas tristes e tragédias, são em um número bem maior, em um volume incalculável, então utilizando dos novos núcleos de processadores conseguimos compactar tambem todos os dados, mas não sabemos como vamos estudar esses dados, pois acreditamos não possuir tecnologia suficiente para desvendar e entender como esses seres se matam e matam seus filhos, seus pais e vão dormir tranquilos depois. Como esses seres sentem prazer em causar dor, em mentir, em enganar e viver em paz com tudo isso. Talvez o mais triste de tudo, seja que esses seres consigam viver imersos em tantos preconceitos, preconceitos até com outros seres que co-dividem seu planeta e servem de alimentos e de cobaias em seus infindáveis experimentos.
     Nossa esperança é que nossa comunicação com esses seres, todos os que são subjugados pela raça dominante do planeta nos ajudem a arrumar nossa nave e voltar, pois sei que com eles a comunicação será a mesma de Andromeda, será a comunicação que não precisa de palavras ou gestos, apenas da companhia pacífica e da mansidão do olhar.

Continuamos com a missâo...


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Diário de Bordo: Data Estelar 28/12/07








Diário de Bordo: Data Estelar 28/12/07
(Trecho do Livro: "A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes")


     As temperaturas estão variando cada vez mais nesse pequeno planeta azul-acinzentado, sim estão variando... Há dias, cara nave-mãe que quase morremos de frio, há dias que quase morremos de calor....Uns falam que são efeitos do buraco na camada-de-ozônio, outros falam que é o final dos tempos, outros, que é culpa de todos os habitantes essa situação, e eu acho que no final,é tudo isso mesmo.
    Os habitantes aqui reservam-se datas para comemorar datas especiais, sim cara nave-mãe isso é verdade, por mais confuso que pareça ser, mas há que se ter essas datas, pois nos intervalos entre essas mesmas datas, eles passam o tempo se destruindo, se degladiando e se matando por pequenas coisas, por pedaços de terras, por conflito de idéias, por conta de intrigas e invejas e pelo que acham correto que colide frontamente com a opinião de outros que acham que, o que os primeiro acham correto está totalmente errado.
     Além da total falta de comunicação e incompreensão de quando falam a mesma língua, eles tem mais de 100 linguas diferentes , então talvez esteja ai, um dos problemas de sua total falta de comunicação ou talvez nâo pois mesmo quando falam a mesma língua a incompreensâo é total, mais um ponto para Hal 9 analisar.
     Falando em celebração de datas, esse é o mes do natal, nessa data se comemora a vinda de um salvador, um mártir, que no fim  acabou  nâo salvando ninguém e ainda foi executado, mas a celebração é a da fé nesse salvador, fé nos princípios e nas lições deixadas por esse salvador, então ficamos aqui confusos, onde foi parar esse salvador? esses dados serão levados a nosso computador de bordo....para tentarmos entender também...
     Nesse mesmo natal, morreram muitas pessoas nas estradas, muitas pessoas foram presas, os comerciantes comemoraram suas vendas polpudas, os pequeninos da espécie, muitos foram executados, outros são executados lentamente no dia-a-dia, pela fome, pela ausencia de amparo, mas mesmo assim ainda arrumam tempo para fazerem alguns malabarismos nos faróis.
     Fizemos vôos rasantes com nossa nave de exploração, visitamos festas por aqui, onde havia a celebração de uma falsa alegria, visitamos palanques de politicos onde a celebração era a hipocrisia e também visitamos olhares esperançosos, de amantes, de crianças, de trabalhadores, de mães dedicadas e constatamos que seu olhar era esse mesmo, de esperança, de alegria e isso pelo que analisamos os move a frente sempre a frente.
     Vimos as novas tecnologias desse planeta e como eles são fascinados por isso, mas cara nave-mãe, oque fazer-se com tanta tecnologia, se eles não possuem a tecnologia básica de convivencia em grupo e de  zelar e protege esse mesmo grupo e um ao outro?
     Talvez com o "polinomio de benares" em nosso super-computador de bordo, consigamos dar a luz a tantas questões, mas minha conclusão básica, é que por mais material que coletemos, nossos cientistas de bordo e de nosso planeta, nunca chegarão a algum lugar...Enfim...
     Pedi ao sr. Sumu e ao sr. Rocharsk para acertarem nossa rota, para rotas circulares sempre fazendo um cruzamento de latitudes  e longitudes, de forma que varramos os pontos principais desse planeta e pelo menos suas formas geográficas sejam bem mais claras para nós...
Sigamos em frente então....

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Diário de Bordo - Data Estelar 12/07/2007





( Trecho do livro "A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes)



     Nosso navegador, Sr. Sumu, tem colocado todos os esforços para uma correção de rota, cálculos e mais cálculos que não estão nos levando a nada no momento, é frustrante. Atravessamos sim, uma chuva de meteoritos, algumas nebulosas, mas desviar dos grandes meteoros é que foi nosso grande problema (nenhuma avaria felizmente) ...

     Temos problemas com a equipe também e talvez nossa maior missão seja voltar para a casa após observar esse planeta tão absurdamente perdido em egos, olhares vazios e dissimulados e guerras em todos os níveis.
     Bom, as vezes nos perdemos com o objetivo de nossa missão e fazemos o que estamos fazendo agora, alteramos algoritmos, revemos cálculos, revemos objetivos, revemos anseios, revemos nosso coração, revemos a missâo.
     Colhemos material, sim, colhemos muito material, dias atrás em uma dessas coletas nos deparamos com o vôo das borboletas, e chegamos a conclusão que era impossivel estabelecer um destino para o vôo desses seres, já que eles não pretendiam chegar a lugar algum e pareciam estar felizes assim.   Após uma reunião intensa, com toda a tripulação da nave (cerca de 50 tripulantes), saímos com a mesma questão da reunião, como sair pelos ares, pelo espaço-tempo  sem objetivo algum e parando a cada cor ou flor que encontrar pelo caminho? Estamos enviando essa questão para nossa nave-mãe, pois Hal 9 (nosso hiper-computador de bordo da série Omega 131) ficou confuso também com a questâo...
     Vimos travestis em atos sexuais em plena luz do dia, ou seria plena luz artificial do inicio da noite? Nos perguntamos o porque do nosso choque, o amor não seria livre? Mas o ato sexual em um lugar público seria amor?  E o que na verdade é o amor?
   Pesquisamos alguns ditos "mestres" desse planeta e alimentamos Hal 9  e chegamos a conclusão que o que vimos não era amor, pois após muitos cálculos e divagações com as metáforas, aforismos, eufemismos e varios outros ismos Hal 9 nos divulgou um relatório de 3 linhas, dizendo que "amor é algo atemporal, compassivo, tolerante e que não exige nada em troca". Só não conseguimos entender a questão da atemporalidade ainda, pois um dos sábios do planeta em seus textos e apontamentos nos falou da relatividade e da curva do tempo e também da teoria das cordas, então, o tempo sempre existe sob a ótica do observador? E do objeto observado?  Então o tempo  é atemporal, então o que fazer com o tempo? E com o tempo que temos? E com o tempo que não temos?
Bom, voltemos a Hal 9...
     Seguimos com a missão, dessa vez pretendemos coletar "gestos", que já falamos tanto, mas nunca nos atentamos detalhadamente...
Continuamos com a missão, as vezes abatidos, por andar um pouco em circulos com nossa nave, as vezes mais animados com as respostas de Hal 9, mas a nossa energia vital, talvez nem Hal 9 tenha, é essa energia de renovar-se a cada dia e nunca voltar atrás no nosso vôo, em nossa caminhada...
Continuamos com a missâo...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Diário de Bordo - data estelar - xyz brsp 01/02/07





Diário de Bordo - data estelar - 

(Trecho do livro "A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes")


    Sobrevoamos alguns mares, e percebí que olharmos os mares do alto de nossa espaçonave é o mesmo que viajarmos pelo hiper-espaço é a mesma sensação de vastidão, de infinito...
     Tentamos contato com habitantes em terras gélidas, pinguins-imperadores, a comunicação foi fácil, entendemos sua necessidade de acasalamento, as responsabilidades de um pai, de uma mãe...tentamos contato com outros seres desse planeta, os homens, ai a dificuldade foi tremenda, pois além da fonética ininteligível, eles falam por gestos, por olhares esquivos e as vezes dizem exatamente o contrário do que realmente gostariam de dizer.....Transcrevemos todos os diálogos para o nosso computador de bordo, que não está acostumado com essa lógica, que na verdade não tem lógica nenhuma, na verdade beira surreal.
     Base, tenho saudades de minha amada, com seus afazeres em nosso planeta gelado, ainda bem que me situo na parte mais acolhedora e aquecida do planeta. Esse "ainda bem", tenho que revisar de imediato, pois torço para que ela retorne para o lado "aquecido" do planeta em minha volta para casa.
      Nosso navegador, fez algumas correções de rota, então zigue-zaguearemos mais algumas centenas de anos por aqui. Ontem, em uma de nossas missões locais, verificamos a importancia das trocas no planeta, o que eles chamam de moeda, é vital para a sobrevivência, vital eu diria porque quase todos matam e morrem por essa coisa chamada "moeda".
     Recolhí algumas "moedas" e tenho-as no bolso agora, recolhí tambem uma forma expressiva de arte, a música,  verifiquei que todos, independente da espécie neste planeta, tem a música em sua alma, ela parte das formas mais rudimentares, como gritos de acasalamento, passando pelos requintes de seu exponencial maior, a música erudita.
     Sobrevoamos campos de centeio (uma bela visão), sobrevoamos cascatas, sentimos a variação dos ventos e pretendemos fazer incursões em alto mar. De imediato, como comandante enfrentei também algumas insubordinações, mas nada sério, considerando o tempo que estamos ausentes de casa e a pressão que somos submetidos.
Base, essas são as pequenas, ou melhor, a falta de novidades de hoje, nossos planos são fazer mais incursões terrestres hoje, entender melhor o gestual contraditório humano, entender as discrepancias dos seres e de alguns agrupamentos dos mesmos humanos, em alguns países em especial.
     Finalizo, lembrando mais uma vez a saudades de minha amada, que talvez esteja perdida próximo a algum porto de Alexandria, Azimuth, Aldebaran ou Alexânia...

Continuamos com a missão...