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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Brumas do amanhecer






Acordei
Não havia nada
A escada vazada
A casa semi acabada
Ecos  na privada

Acordei
Ao final da dança
Que dançamos a meia luz
Mas os regos de pus
Correm agora ao despertar

Acordei
Com seu cheiro grudado na alma
Com seu vestígio nos lençóis
E seu rastro de cometa em meus sóis
E o que sois? E o que fui?

Acordei
Mas estava morto ao acordar
Estava solto entre os fantasmas do purgar
Louco sem caminho pra caminhar

Acordei
Na manha mansa da manhã
Ja não tenho você, ja vejo que ninguém me vê
O que será de mim? O que será de você?
Perdidos nas brumas desse amanhecer?

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Um caminho que não soubemos caminhar





      Com o passar do tempo, o deslumbramento cede espaço ao conformismo, esse “ismo” maldoso e sonolento que rouba as horas do sono e entorpece os dias trazendo outro  sono.
     Com o passar do tempo, percebemos que é tudo um ciclo, começa deslumbrante e senhor de sí, atravessa a maturidade raso em sí e na velha idade percebe que não há tempo ou idade que mostre a sabedoria da maturidade.
     Com o passar do tempo a gente percebe que o vento sopra para todos os lugares e enquanto uns deliciam-se com sua brisa, outros jamais sairão do torpor do ar rarefeito de suas geografias.
     Com o passar do tempo a gente percebe que o sábio é o que não sabe nada, que o fraco vê da jangada, o tolo de garganta empinada.
     Com o passar do tempo vai se a memória, vão se os músculos, os ossos fraquejam, o riso escasseia, o amargo galanteia, os sulcos rasgam o rosto, a altura cede, fica apenas nosso rastro, nosso nome solto no asfalto.
     Com o passar do tempo, olhamos para o peito e se não vencemos o medo,  percebemos o rastro estreito perdido pelo meio do caminho que não soubemos caminhar...

domingo, 9 de junho de 2013

Uma bolha de sabão









Uma bolha de sabão 
e' assim:
brilhante
transparente
geométrica
perfeita
fadada ao vôo
desgovernada pelo vento
desregrada no documento
nascida sem intento
vida curta, vento pequeno
Uma bolha de sabão
na palma de minha mão
explodindo como vulcão
mostra a ilusão
da fragil perfeição
tudo existe
tudo não existe
em meu coração
Uma bolha de sabão
como meus sonhos 
tem curta duração
sonhos soltos ao céu
em vão.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Minha cara metade



Peguei minha cara metade
Dessa metade criei degraus e estendi até o céu
No céu entre as nuvens estendi minhas pontes
Essas pontes transformei em horizontes, em fontes
Cruzei os céus, uní as nuvens e os mares e joguei o chapéu
Que voou entre albatrozes, anjos   e cometas
Lancei então essa metade a esquerda e direita
Voando junto a anjos e a Joao de barros
Construí a casa de barro e galhos
Usei tijolo, palha e bolhas de sabão
 E' onde passei a morar com seu coração
E' onde passei a morar com a metade
De minha cara metade
Que nunca teve tempo, nunca teve idade
Pintamos o céu segurando o mesmo pincel
Sopramos os ventos sobre o mundo
E mandamos ritmos para as  ondas
E antes que te escondas
És minha metade e estas pronta
Para abrir todas as portas que liberam as ondas
Que liberam todos os fluidos que seguem sem ruído
De minha cara metade explodem luzes
Que sobem e descem do céu fazendo outras pontes
Luzes coloridas que iluminam sua fronte
Luzes desmedidas que iluminam o céu
E trazem de volta todos os meus risos e meu chapéu
Que volta a minha cabeça e agradecem aos céus
A outra metade que completam tudo o que e’ seu.
Pintamos o mundo com as cores do mundo
E minha metade junta-se a sua metade
E nos unimos na dança de todas as danças de fundo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dono de meus sonhos



Essa guerra foi declarada antes de meu nascimento
Os demonios expulsos de meu céu
Refugiaram-se na caverna oca de meu peito
Fincaram cruzes e estacas  em meu coração
E desde então vivo em extrema unção.
Essa guerra foi declarada entre anjos e demonios
Demonios que já foram anjos afonicos  dos sonhos
E desde esse dia os anjos foram para o céu, a mente
E os demonios moram felizes no inferno, o coração
E eu assisto a guerra comendo pipocas, vendo televisão
A guerra deixa mortos e deixa rastros
Deixa uma mapa de rugas sem direção
Deixa calos massacrados a exaustão
Deixa  os mortos jogados em valas à podridão
Não há trégua, não há régua, não há esfera
Que desvende o pavor e o desespero dessa situação
Essa guerra junta o melhor e o pior de mim
Essa guerra começa ao nascer do dia
E finda-se apenas no nascer de outro dia
Não há direção, não há bússola, não há alquimia
Que traduza a guerra  em que vence a melancolia
Não vou gritar e também hão há o que celebrar
Não vou morrer sem ver e conhecer o que há de melhor em mim
Os demonios escondem tudo, roubam tudo, levam tudo
Só não levam o meu sonhar traduzido no absurdo
Não sou mudo, não sou surdo, não sou recluso
Não sou o anjo, não sou o demonio
Sou apenas o dono de meus sonhos
De meus sonhos adormecidos e sem direçâo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cósmico céu azul















Estar longe de ti
Acostumei-me
O duro é estar longe de mim.

Estar sem eira nem beira
É assim, a rotina
O duro é não ter quem me queira

Estar em um barco a deriva
É delicia da vida
O duro é o porto que não aproxima

Estar olhando para o azul
Cósmico céu azul
Inconformado mar azul

Estar longe de mim
É dilema
O duro é viver assim