terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Noites insones






















Olho pela janela, pelas persianas que quebram e lascam a luz
Noites insones são apenas noites insones, que não se dorme e se some
São fantasmas que deitam ao meu lado e riem um pouco de meus medos
São fantasmas centenários que acendem um cigarro e colocam-me arreios
Estou na época de mudanças, sempre estive na época de mudanças
Sou mudanças constantes, revolucionárias e também convencionais
Sou a mudança desesperada que tem sede dessa constância
Sou o escudeiro fiel de meus filhos que desbravam campos e montanhas
Mas também sou o guia fiel de minha mãe em sua entranha
Sou o melhor amigo de mim mesmo mas muitas vezes sou fraco
Muitas vezes quero abandonar-me de mim mesmo
Muitas vezes quero deixar-me ao lado desesperado e acomodado de tudo
Sim, sou insuportável, mas não consigo abandonar-me
Há o eu em mim que suporta tudo de mim
Mas há o eu em mim que esta cansado desses meus apegos e desesperos.
Olho pela janela e sei que um dia tudo vai mudar
Mas não poderei atestar ou ao menos contemplar
Juntarei-me antes a poeira do cosmos
Não estou sozinho, somos um, somos únicos
A gorda barata cruza correndo o meu quarto
Cães amados ladram ao lado fazendo fundo para os gatos
Que ensaiam mais uma briga no telhado
Apago a luz, noites insones, não se dorme, noites que se some.

2 comentários:

Santosha Harih Om disse...

noites insones proporcionando a poética, a extravasão, o encontro profícuo do proprio EU , da alma que grita, do acalanto que a alma lança

mabel eliana disse...

Cuantas noches sin dormir, cuerpo cansado, alma ansiosa. Cuantas veces dando vueltas sin poder dominar mis recuerdos..., la ausencia, la impotencia, la soledad,
buscan salir y tratar de encontrar una solución, a ese apego... que a veces una sueña con tener un amor, para entregarse, y cuidar, y otras veces ese mismo sentimiento se convierte en noche eterna.